Morar em uma cidade e conhecer suas mais intrigantes opções culturais demanda tempo e curiosidade. Mas também é necessário, muitas vezes, quebrar algumas barreiras invisíveis como o medo e o preconceito para se inserir em contextos culturais e sociais diversos. Tal como as favelas brasileiras, o bairro da Mouraria, em Lisboa, é um local sempre referido como “perigoso” e até mesmo violento – para os padrões europeus, claro.

Mas dependendo do caminho feito, ele torna-se passagem obrigatória na subida para um ponto turístico famoso da cidade, o Castelo de São Jorge. E foi fazendo este trajeto que a fotógrafa inglesa Camilla Watson decidiu que ali seria o local para registrar toda a sua arte.

Camilla tem um olhar atento para aspectos pouco explorados sobre a diversidade de bairros populares. Ela já viveu 3 anos em São Paulo, onde ensinou jovens residentes de favelas a fazer fotografia pinhole. Também morou em S. Tomé e Príncipe, como fotógrafa da Unicef. Aqui em Lisboa toda essa vivência rica e diversa levou-a à criação de uma exposição ao ar livre, há cerca de dois anos, como forma de eternizar a figura dos seus vizinhos mais idosos nas paredes das casas onde moram. O projeto chama-se Tributo: uma forma de agradecer o acolhimento recebido desde que se mudou para Portugal e homenagear aqueles que tornam esta parte da Mouraria um local cheio de vida, de cor e de pessoas especiais.

A técnica envolve um trabalho conjunto com os moradores do bairro, pois a impressão de cada imagem demanda a construção de uma câmara escura temporária em cada local. Demorou um tempo para que a “galeria ao ar livre” fosse reconhecida pelos demais lisboetas. Ela primeiro ganhou o mundo pelos olhos e textos dos estrangeiros. Mas a beleza do trabalho tem atraído também observadores locais. E, se não eram, o Beco das Farinhas e o Largo dos Trigueiros tornaram-se agora passagem obrigatória de turistas apreciadores de arte e cultura que visitam Lisboa rumo ao topo de uma de suas 7 colinas.

Confira aqui o video sobre o bairro!

Nossa Conexão Portugal – Ariane Feijó é uma Relações Públicas e especialista em marketing que um dia deixou para trás uma promissora carreira multinacional em prol de uma vida multicultural. Morou na Inglaterra, estuda turco, sonha morar na França e envelhecer no Rio de Janeiro, mas no fundo adora se sentir estrangeira. Divide o tempo entre planos de comunicação e projetos culturais em Portugal: um país lindo e curiosamente próximo do Brasil nas questões supostamente mais distantes e incrivelmente distante naquilo que entendemos como mais próximo – a língua!

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